segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Cientistas usam raio - x para não precisar dissecar múmia


Sem recorrer a ferramentas intrusivas, cientistas usaram raios-x e exames de tomografia computadorizada para revelar novas informações sobre uma múmia egípcia de 2 mil anos."É possível obter uma grande quantidade de informações com o uso de imagens médicas, sem danificar artefatos de valor incalculável, diferentemente dos estudos da década de 1960, quando se abriam as múmias", disse Sarah U. Wisseman, especialista em múmias da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, que lidera a pesquisa juntamente com um patologista, um radiologista e um antropólogo físico.A múmia era de uma criança que viveu no período greco-romano da história egípcia, entre 332 a.C. e 395 d.C. Wisseman e seus colegas escanearam a múmia em 1990 - descrevendo-a em seu livro "The Virtual Mummy" (Illinois, 2003) - e novamente este ano, já que a tecnologia se aperfeiçoou nos últimos anos.O crânio da criança estava rachado. Embora já se soubesse disso pelos exames antigos, novas imagens revelam que a rachadura é muito pior do que se pensava. "Há uma pedaço extra de osso empurrado para dentro da cavidade craniana", afirmou Wisseman. "Ainda não sabemos o que ocorreu antes ou depois da morte".As novas imagens também mostram que provavelmente havia uma mecha de cabelo de um lado da cabeça - algo visto em retratos romanos daquela época. A mecha era um sinal de status, indicando que a criança era de uma família abastada. Sustentando essa hipótese, os tecidos que envolvem a múmia contêm elementos dourados e pigmento vermelho importado da Espanha.O sexo da criança ainda é um mistério. A pélvis está danificada e as mãos cobrem a região genital.Wisseman apresentou as descobertas nesta semana num simpósio sobre múmias na universidade.FONTE: ig.com

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Mês da Consciência Negra

No Ano Internacional do Afrodescendente, o mês de novembro ocupa o lugar de protagonista nas celebrações em torno da memória do afrodescendente no Brasil. Em razão do Dia da Consciência Negra, comemorado no dia 20 (quando teria morrido o quilombola Zumbi dos Palmares), museus e universidades de todo o Brasil preparam uma agenda especial para que se reflita sobre o tema.

Rio de Janeiro e Niterói

Em Niterói, Rio de Janeiro, “Ordem e ruptura em debate – escravidão e alforria” reúne especialistas numa discussão sobre libertação dos escravos no México, Brasil e África, nos dias 8 e 9. Entre os palestrantes estão Alberto da Costa e Silva, Hebe Mattos, Ismênia de Lima Martins, José Flávio Motta, Marcus Carvalho e Sidney Challoub. O evento ocorre no auditório do PPGH do campus do Gragoatá da UFF, Bloco O, Sala 1, 5º andar.Do outro lado da Baía de Guanabara, a Fiocruz sedia “Aventuras e desventuras do estudo sociológico de um tema historiográfico: o caso do movimento pela abolição da escravidão no Brasil”, no dia 10. O evento terá a participação de Angela Alonso (professora do Departamento de Sociologia da USP) e Kaori Kodama (professora visitante da COC). Para comparecer basta se dirigir ao prédio da Expansão do campus da Fiocruz, na Av. Brasil, 4036, sala 407, às 10h.

Brasília

Em Brasília, uma exposição de fotografia traz sob o ponto de vista do fotógrafo amazonense Jimmy Christian a tradição quilombola no Sudoeste da Bahia. “Arraiais dos negros” é resultado de um período em que o artista passou nas cidades de Barra e Bananal retratando comunidades que ainda preservam bastante sua tradição africana. A mostra fica em cartaz até o fim do mês no Anexo IV da Câmara dos Deputados, com visitação de segunda a sexta, das 9h às 18h.

Bahia
Como foi apontado na matéria “Declaração à africana” da edição de outubro da RHBN, Salvador será mexida pelo Encontro Ibero-Americano do Ano dos Afrodescendentes, que ocorre entre 16 e 19 deste mês. A discussão vai abordar a realidade afrodescendente na América Latina, contando com a participação de vários grupos juvenis e do movimento negro, inserindo-se no programa estadual “Novembro negro”, que apoia este e mais uma série de eventos por toda a Bahia.Minas GeraisEm Ouro Preto, o Museu da Inconfidência organizou uma agenda que atravessa o mês. Na quarta-feira, 16, será exibido o filme “Atlântico negro, na rota dos orixás”(1998), que discute as relações entre Brasil e África, com enfoque na religião. Na segunda, 21, o destaque é a palestra “O legado de Chico Rei e reinado de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia”, ministrada por Kátia Silvério Augusto, terceira capitã do Congrado de Santa Efigênia – na sequência da apresentação, o filme “Chico Rei” (1985). Já no dia 25 será inaugurada a mostra “A presença do negro e a formação de Vila Rica – cultura e religiosidade”, no prédio anexo do museu. Para ter acesso à programação completa do mês no Museu da Inconfidência, acesse http://www.museudainconfidencia.gov.br/.

São Paulo
Uma programação especial também foi montada pela Pinacoteca do Estado de São Paulo que, até o fim de novembro proporciona um conjunto de atividades ao público que vai de apresentações teatrais a palestras e exposições. “Africanofagias paulistanas” é inspirado na antropofagia de Oswald de Andrade, que ao ver o Brasil como uma espécie de boca que tudo come lançou as bases para entendermos a nossa cultura. O próximo evento que ocorre na Pinacoteca já é no dia 12 e se chama “Negro paulistano me tornei, na metrópole que adotei” – uma palestra sobre personalidades negras que migraram para São Paulo, apresentada pelos professores Lígia Ferreira (Unifesp), Flávia Rios, Nelson Inocêncio (Unb) e Maria Aparecida Lopes (UFT).
FONTE: revistadehistoria

sábado, 29 de outubro de 2011

A família Bórgia em quadrinhos




A Editora Conrad tem em seu catálogo a história em quadrinhos para adulto da vida de Rodrigo Bórgia (1431-1503), o Alexandre 6º, o papa mais devasso da história. Cada um dos quatro volumes custa R$ 30,10. O desenho é do italiano Milo Manara e o texto do chileno Alejandro Jodorowsky.
A história mostra o quanto a Igreja Católica estava degradada no século 15. Alexandre 6º teve amantes e sete filhos. Dois deles foram César e Lucrécia, que participaram da devassidão do pai. Lucrécia era tida como “o veneno da família Bórgia”.
Rodrigo Bórgia foi corrupto (ele teria se tornado papa por intermédio de suborno) e despótico. Esteve envolvido em negócios escusos, assassinatos e incesto.
A Igreja Católica contemporânea nunca fez referência a ele, como se não estivesse existido, mas o papa safado com certeza serviu de inspiração ao fundador da Legionários de Cristo, o padre mexicano Marcial Maciel (1920-2008), que foi estuprador de coroinhas e viciado em cocaína e teve amantes e filhos, um deles também vítima de abuso.
Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2011/05/peripecias-do-papa-alexandre-6-viram.html#ixzz1cBkwBNSR
Paulopes só permite a cópia deste texto para uso não comercial e com a atribuição do crédito e link. As reproduções são rastreadas diariamente.
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fonte: paulopes

Crítica: 'Tancredo, a travessia'

Depois que a ditadura militar se foi, ficaram histórias, imagens, depoimentos, memórias que precisavam ser reunidas por alguém com competência para fazer um filme que não soasse maçante ou meramente didático. Em Tancredo, a travessia, Silvio Tendler, que tem no currículo os documentários Os anos JK e Jango, soube fazer e contar bem a história de mais um dos grandes líderes políticos brasileiros.

A maior riqueza de Tancredo, a travessia está nos depoimentos, colhidos especialmente para o documentário, de personagens como o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do senador Aécio Neves - neto de Tancredo, - e de outros políticos como Jarbas Vasconcelos, Fernando Lira, Almino Afonso e José Sarney, além do general Leônidas Pires Gonçalves, escolhido por Tancredo para ser ministro do Exército. Entre os artistas, participam nomes como Cristiane Torloni, Milton Nascimento e Fafá de Belém, apenas três dos inúmeros ativistas engajados que subiram no palanque de Tancredo e das Diretas Já.


[...]

É importante deixar claro que, no filme, a opção parece ter sido a de ouvir apenas os aliados do político mineiro, ou seja, os que viveram ao seu lado sua trajetória, da Era Vargas à campanha das Diretas. Paulo Maluf, por exemplo, aparece apenas no contexto da época. Nada de depoimento para o filme. A opção de Tendler, nesse caso, é discutível.

Além de fazer um resumo eficiente da trajetória do país desde a Era Vargas, quando Tancredo começava a dar passos firmes rumo à liderança política, o filme aborda também, e com mais clareza do que tudo o que já foi feito à respeito, a polêmica em torno da doença que matou o então presidente eleito, e jogou água na fervura da esperança de todo um povo, forçando a posse de José Sarney, ex-aliado da ditadura e dissidente do PDS.

Em depoimento ao filme, o próprio Sarney admite que, ao renunciar à presidência do então partido governista, quando, provavelmente, já percebia que a ditadura começava a naufragar, achou que sua carreira política havia terminado. Também com maestria, Silvio Tendler soube retratar toda a fase de criação do Partido da Frente Liberal (PFL), que reuniu os dissidentes do PDS para apoiar Tancredo e, quem sabe, continuar pegando carona no poder. Mal sabiam que, por uma triste obra do destino, não só pegaria carona, como reassumiriam o volante.

Sobre a diverticulite que resultou na morte de Tancredo, o documentário praticamente incrimina os médicos que atenderam o presidente eleito em Brasília, sem ouvir a versão de qualquer um deles. Nesse aspecto, a participação de Aécio Neves é fundamental. Hoje Senador pelo PSDB, o neto de Tancredo foi quem presenciou dois momentos decisivos para o fim da história: quando o avô, prestes a tomar posse, passa mal durante um jantar em família, e quando, já operado no hospital em Brasília, durante uma uma caminhada com o neto no quarto, sente que algo estava errado, e decreta: “Estourou tudo”. Era o início do fim.

Tancredo, a travessia, talvez peque por não ouvir o outro lado da história. Mas, certamente, conta muito bem o lado bom.

FONTE: jb.com.br

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A história do Jazz


Os historiadores rastreiam as origens do jazz em um diferente número de culturas e influências sociais que convergeram na Nova Orleans do século 19. O fator mais importante foi a importação de homens e mulheres da África e das Índias Ocidentais, trazidos como escravos para a América Colonial, junto com os refugiados que escaparam da ilha de Hispaniola fugindo da matança da Revolução Haitiana.

Escravização, colonialismo e exploração dos povos africanos tiveram papéis significativos no desenvolvimento da música afro-americana. No início do ano de 1800, os escravos se reuniram na Praça do Congo, em Nova Orleans, para tocar suas músicas e mostrar suas danças tradicionais. Os registros da época mostravam que os escravos usavam instrumentos de corda improvisados e tocavam tambores de maneira polirrítmica (ritmos sincopatizados múltiplos tocados simultaneamente).

Dois tipos de músicas afro-americanas foram importantes para o desenvolvimento do jazz: spirituals e músicas de trabalho. Spirituals eram músicas folclóricas religiosas que os escravos cantavam para expressarem seus desejos de liberdade e sua fé. Diferente da música, principalmente com base no ritmo das danças na Praça Congo, os spirituals eram vocais marcados por harmonias variadas e letras improvisadas.

Músicas de trabalho combinam o ritmo do trabalho com a cantoria e estão tradicionalmente ligadas às culturas da África Ocidental. Essas músicas eram usadas para sincronizar um grupo enquanto trabalhavam juntos, com um líder falando e o grupo respondendo. Muitos historiadores atribuem o padrão chamada e resposta no jazz a essa forma inicial de música afro-americana.

Os primeiros músicos de jazz nasceram na escravidão - permaneceu uma memória viva das pessoas que viveram antes da Proclamação da Emancipação dos escravos. E apesar dos elos oficiais da escravidão terem passado, os afro-americanos ainda são tratados injustamente por indivíduos e legislações locais.

Também entre os africanos e as pessoas do caribe estavam os europeus. Escoceses, ingleses, irlandeses, franceses, espanhóis e italianos deram contribuições distintas ao ponto de encontro de todas as culturas que é Nova Orleans. Com o passar do tempo, essas culturas começaram a emprestar e adotar umas das outras as tradições e a música. Os antropologistas chamam essa polinização cruzada de sincretismo. Para simplificar, onde a música africana tinha uma base mais ritmica, a música européia tinha uma concentração maior na melodia e harmonia. Uma aproveitou partes da outra. A música africana foi europeizada e vice-versa. Essa relação de troca persistiu durante o século XX e continua até hoje enquanto o jazz é tocado pelo mundo todo.

As influências das danças na Praça do Congo, spirituals, blues, música crioula, música clássica européia e orquestras de instrumentos de sopro se combinaram para criar as formas iniciais do jazz.

O início do jazz não foi muito bem documentado. Buddy Bolden (considerado o primeiro músico de jazz) nasceu em 1877 e as primeiras bandas de jazz surgiram por volta de 1885. De acordo com o All Music Guide, Bolden formou sua primeira banda em 1895. Muitas das informações que possuímos hoje são provenientes de entrevistas de quando a loucura do jazz já estava instalada. E infelizmente, as músicas dessa época inicial nunca foram gravadas.

Um novo estilo de tocar piano, desenvolvido perto do fim do século 19, começou a deixar seu marco no jazz também. Mas o ragtime, diferente do jazz, não era uma forma improvisada de música. Um tocador de piano mantinha a batida com sua mão esquerda enquanto tocava uma melodia sincopatizada com a direita. No alto da sua popularidade no início do século XX, o ragtime realizou incursões com os músicos de jazz que começaram a incorporar e enfeitar a técnica com seu próprio estilo.

No início, o jazz e a dança estavam inextricavelmente ligados entre si. Muitos viam o jazz como promíscuo e relacionado à classe baixa, em parte devido às ligações raciais. Mas nem todos se opunham a ele. Músicos brancos estavam loucos para aprender a nova música e começavam a procurar músicos negros, então o jazz começou a explodir.


FONTE: uol.com