quarta-feira, 14 de março de 2012

Verdades para todos os gostos


O Festival É Tudo Verdade começa mais uma edição na semana que vem trazendo 80 títulos de 27 países. A mostra, que começa em quinta-feira (dia 22) e termina em 1º de abril (ironicamente, Dia da Mentira), chega simultaneamente ao Rio de Janeiro e a São Paulo e homenageia os cineastas Eduardo Coutinho e Andrés Di Tella. O rol de temas retratados inclui desde a tropicália, passando pela geração beatnik até a Primavera Árabe.
O argentino Di Tella ganha uma retrospectiva, participa de debates e lança seu novo filme “Golpes de Machado”. Eduardo Coutinho, autor, entre outros, de “Cabra marcado para morrer” – que está sendo restaurado pela Cinemateca Brasileira – também terá sua carreira revisitada. O festival conta ainda com a estreia mundial de 25 produções, além de curtas e longas que incluem títulos premiados em eventos como Sundance, Oscar e Amsterdã.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Galileu não foi o primeiro a dizer que a Terra gira em torno do Sol


por Olivier Tosseri


É comum atribuir ao italiano Galileu Galilei (1564-1642) a criação do heliocentrismo. Apesar de o astrônomo renascentista ter contribuído muito para a aceitação dessa teoria no meio científico, a ideia de que a Terra se move em torno do Sol já vinha se desenvolvendo desde a Antiguidade.

No século V a.C., o filósofo grego Filolau formulou pela primeira vez a hipótese de que nosso planeta não ocupava o centro do Universo. Para ele, a Terra girava em torno de um “fogo central”, cuja luz era somente refletida pelo Sol. Posteriormente, no século V d.C., astrônomos indianos elaboraram teorias sugerindo que o globo terrestre orbitava ao redor do Sol e mencionando o que chamaríamos mais tarde de “lei da gravidade”.

Estudos do tipo continuaram a ser produzidos em plena Idade Média, mas o geocentrismo de Aristóteles e Ptolomeu perdurou, graças à Igreja Católica, como forma mais aceita de entender o movimento do planeta.

Foi preciso esperar até o século XVI para que o heliocentrismo alcançasse o status de teoria científica, e devemos esse avanço não a Galileu, mas ao médico e astrônomo polonês Nicolau Copérnico (1473-1543). Suas pesquisas resultaram na obra Das revoluções das esferas celestes, concluída em 1530 e publicada em 1543, na cidade de Nuremberg, pouco antes da sua morte.


Olivier Tosseri é jornalista

Fonte:História Viva

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Cidade dos loucos e da memória


“O Hospital Colônia vendia às escolas de Medicina cadáveres de pacientes que morriam às centenas (...) Para o fornecimento de ossos, corpos eram cozidos em tambores de gasolina, diante dos outros pacientes”, informa o texto no Museu da Loucura, localizado em um prédio do antigo hospício, hoje Centro Hospitalar de Psiquiatria de Barbacena (CHPB), em Minas Gerais. A exposição de algemas, uniformes e da grade da última cela – desativada em 1993 – lembra mais uma prisão ou um campo de concentração nazista, como comparou o psiquiatra italiano Franco Basaglia, que visitou o hospital em 1979. Ainda hoje, o esforço para a modificação dos serviços psiquiátricos continua. O museu faz sua parte realizando uma exposição temporária a partir de 18 de maio, quando o Dia Nacional da Luta Antimanicomial completa 25 anos.

Curso de Paleografia Colonial na UPE- Campus Petrolina




Nos dias 08 e 09 de março acontecerá na Universidade de Pernambuco (UPE)- campos Petrolina um minicurso de paleografia com o professor Dr. George Cabral Felix (UFPE).
Valor das inscrições R$15,00
Vagas: 60
Maiores informações: Prof. Reinaldo carvalho ou Prof.ª Janaína Guimarães  ou revista_historien@ig.com.br

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Chamada de colaborações

A Revista Historien, publicação da Equipe "Sapientia et Virtute" e do Departamento de História da Universidade de Pernambuco - Campus Petrolina, torna pública a sua CHAMADA DE COLABORAÇÕES para o seu volume 6 referente ao primeiro semestre de 2012.

A Revista Historien é um periódico semestral que tem como objetivo publicar pesquisas inéditas, de reconhecido rigor teórico, relevância intelectual e científica na área de História e Ciências Humanas. Além da publicação de artigos em torno de um dossiê temático, previamente estabelecido, este periódico dispõe de uma seção de artigos, de espaço para publicação de resenhas, perfis de personagens históricos e uma área para reflexão sobre adaptações cinematográficas de fatos históricos.

Tema: FONTES E NARRATIVAS
Data limite para colaborações: 15 de abril de 2012
Os trabalhos deverão ser enviados eletronicamente para o endereço: revista_historien@ig.com.br

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A doce vida dos mortos


Ao contrário do Brasil, onde o carnaval é a maior festa popular, com milhares de pessoas entregues à folia por três dias consecutivos, no México, a maior mobilização festiva e popular ocorre no Dia dos Mortos. Na realidade, geralmente as festividades acontecem em vários dias, entre 31 de outubro e 2 de novembro, e em muitas cidades elas começam já no dia 28 de outubro. Parentes, amigos e convidados festejam o retorno de seus finados com grande variedade de comidas, bebidas, doces e frutas em banquetes espetaculares. De tão importante, o acontecimento foi declarado patrimônio cultural da Humanidade pela Unesco. A ideia de que a morte é uma continuidade da vida era comum na cultura mesoamericana, do México antigo. A morte era considerada uma transição da vida para outro mundo ou para um espaço, ou mesmo uma nova dimensão, que imaginavam existir para essa finalidade. As origens dessas cerimônias são antigas e remontam a 3.000 anos antes da era cristã. Nas festas rituais, era costume colocarem crânios nos altares erguidos, representando os ancestrais. Desde o século I, os cristãos rezavam pelas almas e visitavam os cemitérios. Já no século V, a Igreja Católica dedicou um dia do ano para rezar por todos os mortos, inclusive os esquecidos pelas famílias. O dia 2 de novembro foi estabelecido no século X, pelo calendário litúrgico cristão, como Dia de Finados. No México, os povos indígenas realizavam festas e rituais para reverenciar seus mortos. Mas, com a colonização espanhola, novas práticas culturais foram introduzidas e mescladas à cultura nativa para celebrar os antepassados. Rezas e cânticos se misturavam em festas, revestidos de um caráter ao mesmo tempo sagrado e profano. Antes da chegada dos espanhóis, os indígenas homenageavam seus mortos durante todo o mês de agosto, que corresponde ao nono mês do calendário solar asteca. Na época, as festividades eram presididas pela deusa Mictecacíhuatl, como era chamada a Deusa da Morte dos astecas. Depois, mesmo com a presença do cristianismo, algumas tradições foram mantidas, como o tempo das festas, que podem durar vários dias. A comemoração do Dia dos Mortos atrai a população tanto das áreas urbanas como das rurais, além de despertar o interesse de grande número de pessoas de vários países.



Nessas festas, as famílias costumam oferecer banquetes com muita fartura para as almas dos mortos, como retribuição por tudo que os antepassados fizeram para eles. Isso é possível porque as festas acontecem em um período de muita prosperidade: no calendário agrícola, outubro e novembro correspondem ao início das colheitas dos produtos semeados na primavera. Na população de origem indígena – os choles – do estado de Oaxaca, região meridional do México, as festividades começam todos os anos no dia 25 de outubro e se estendem até 5 de novembro. Esse período corresponde à longa jornada realizada pelas almas para se aproximarem de seus familiares. Os choles precisam desse tempo para festejar seus mortos, pois as almas, em geral, estão “muito ocupadas”, já que esta população mescla suas atividades sagradas com as profanas. Por esse motivo, eles sempre estão ocupados com seus afazeres da vida cotidiana, especialmente com as atividades agrícolas. Já no estado de Veracruz, camponeses e indígenas comemoram o retorno das almas a partir de 18 de outubro, dia de São Lucas, para receber os que sofreram morte violenta, por assassinato ou acidente. Os rituais começam no dia 31 de outubro, quando chegam as almas das crianças, consideradas anjinhos. No dia seguinte, 1º de novembro, é a vez dos espíritos dos adultos. Após festejarem o reencontro com os familiares vivos, as almas regressam ao Reino dos Mortos, para repetir no ano seguinte o mesmo trajeto. Cada família se preocupa em reproduzir os rituais de acordo com as narrativas feitas pelos mais velhos. Todos os detalhes são observados: arrumação das casas, limpeza dos cemitérios, decoração das igrejas, ruas, praças e outros lugares públicos, variedade de comidas e bebidas, além da compra de roupas e sapatos novos para os mortos. Trabalhando coletivamente, pretendem manter a coesão do grupo e asseguram sua continuidade, evitando que aquelas práticas e representações culturais se percam no esquecimento. Altares adornados com bandeirinhas de papel de seda são erguidos nas casas, igrejas, praças e edifícios públicos. Os retratos das pessoas mortas são rodeados de flores amarelas chamadas cempasúchitl – espécie conhecida como a flor dos mortos. Os mexicanos acreditam que as cores vivas dessas plantas ajudam os defuntos a encontrar o caminho de volta para casa.


FONTE: revistadehistoria.com